DOUBLE BIND E O (NÃO) LUGAR DA TRADUÇÃO

Camila Bozzo Moreira

Resumo


Este artigo pretende contextualizar muito brevemente o desenvolvimento dos Estudos da Tradução até seu estabelecimento como disciplina para problematizar alguns conceitos a partir do prisma da desconstrução de Derrida. Esse filósofo propõe o conceito do double bind para revisitar discussões que existem na área desde os primeiros registros, como a possibilidade versus impossibilidade de tradução. Ao relativizar a oposição entre original e tradução, Derrida resgata o tradutor e o texto traduzido da marginalização a que são relegados, ainda que, paradoxalmente, não haja cultura que sobreviva sem a prática tradutória. A desconstrução evidencia a subjetividade do tradutor como argumento de defesa do status da tradução como também um original. Contribuem para esse mapeamento e essa discussão acerca da subjetividade do tradutor autores como Venuti (2002), Berman (2002) e Ottoni (2005).

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DOI: http://dx.doi.org/10.32459/revistalumen.v6i11.187

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